quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

A onça e a raposa (História da avozinha), de Figueiredo Pimentel

 

A ONÇA E A RAPOSA
 

Sendo inseparáveis amigas, a raposa e a onça brigaram um dia. Aquela, por ser ladina e esperta, conseguia fugir e evitar a sua inimiga, todas as vezes que se encontravam.

Por mais estratagemas que empregasse, a onça nunca pôde agarrá-la. Lembrou-se, então, de se fingir de morta.

A notícia correu pelo mato, e os bichos foram ver o cadáver, deitado de barriga para o ar. Sabendo que a sua adversária morrera, a raposa quis certificar-se se era verdade. Dirigiu-se com muita cautela para o lugar onde o corpo se achava, e, chegando perto, perguntou:

— Então a onça está morta de verdade?

— Está, respondeu o macaco.

— Ela já arrotou? perguntou a raposa.

— Ainda não, disse o lagarto. Por quê? Quando a gente morre, costuma arrotar?

— Pois você não sabia? O meu defunto avô, quando faleceu, arrotou três vezes, respondeu a raposa.

A onça ouvindo aquilo, arrotou.

— Os mortos não arrotam, exclamou a raposa, correndo.

Desesperada por ver que o seu plano falhara, a onça levantou-se, e desistiu da vingança.

 

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Ano de publicação: 1896.
Origem: Brasil (Reconto)
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2021)

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